Estilo espanhol de petiscar

2

Estilo espanhol de petiscar

As deliciosas “tapas” espanholas são tira-gostos que podem ser servidos frios ou quentes antes das refeições ou, hoje em dia, até mesmo substituí-las. E sempre acompanhados por uma boa bebida, é lógico.

Alguns historiadores sustentam que a palavra “tapa” deriva do verbo tapar e teria origem em um costume da Idade Média, em que os copos de vinho eram servidos com uma fatia de presunto, queijo ou morcela por cima, para evitar que as insuportáveis moscas que apareciam no verão caíssem dentro dos copos de xerez, o delicioso vinho espanhol.

Outros acreditam que as iguarias surgiram para aliviar a “árdua tarefa” de, ao cair da tarde, na hora do aperitivo habitual dos espanhóis, em vez de os trabalhadores passarem de bar em bar e somente bebericarem, passassem a receber como cortesia alguns tira-gostos para forrar o estômago e não cair de maduros (procede, não?).

Alguns poucos bares de Madri ainda preservam a tradição de não cobrá-los. Também é defendida a idéia de que por ter a Espanha sido por muito tempo tomada pelos árabes, assimilou-se o costume das “mezzes”, os tradicionais antepastos árabes comidos em bocados.

A Real Academia da Língua Espanhola define as tapas como “qualquer porção de alimento capaz de acompanhar uma bebida”.

É fato que, originalmente, as tapas consistiam apenas em azeitonas simples ou recheadas, fatias de morcela, presunto, queijos e legumes marinados e tortillas (as clássicas omeletes espanholas com batatas e cebolas), servidos com palitinhos ou sobre uma fatia de pão e para serem comidos em um ou dois bocados.

Depois, foram incorporados outros embutidos e queijos variados, frutos do mar, peixes em conserva ou empanados.

Mais tarde, vieram os tomates, ovos, pimentões e cogumelos recheados, os molhos diferentes e os detalhes de finalização.

O modo de servir também sofreu algumas modificações. Alguns pratos típicos do país passaram a ser servidos em pequenas porções, degustados em pratinhos ou tigelinhas individuais com a ajuda de garfos.

Atualmente, novos tipos de tapas feitas com os divinos ingredientes espanhóis aparecem todos os dias, não só pela capacidade e prazer de criar, mas gerados pela competição para atrair os clientes.

Quem ganha com isso somos nós. Hoje em dia, existem incontáveis “bares de tapas” distribuídos por toda a Espanha.

Turistas do mundo inteiro chegam em cidades famosas por suas tapas, como Sevilha, Barcelona ou San Sebastian, muitas vezes já procurando este ou aquele bar de tapas recomendado.

As tapas incorporaram-se também à rotina de horário e necessidades dos espanhóis e, atualmente, pode-se substituir um almoço completo por porções de tapas no meio de um dia de trabalho árduo ou o jantar.

Além de compor uma refeição deliciosa e nutritiva, pode ser rápido (é só escolher as comidinhas no balcão!) e pesa menos no bolso.

Segundo o chef espanhol Juan Mari Arzak, um dos mais conceituados do momento, em tempos da tão maléfica fast food, poder cultuar o costume de “tapear” é um privilégio.

Uma parte do conceito das tapas vem sendo reproduzida de certa maneira em várias partes do mundo, como Arzak costuma dizer, na “cozinha de miniatura”, mas a alma das tapas está e sempre estará na Espanha.

Nas próximas páginas você encontrará quatro receitas típicas de tapas, alguns exemplos de como elaborar diferentes banderillas (assim são chamadas as tapas em algumas regiões quando espetamos coisinhas em palitos) e um molho que pode acompanhar várias combinações.

Exagerem nas tradicionais fatias de pão como base, com as mais variadas coberturas. E lembrem-se de que, apesar da arte de tapear ser da Espanha por mérito e direito, muitos dos nossos ingredientes e comidinhas podem “dar em tapas”, desde que sejam feitos com muito capricho, ótimos ingredientes e muita imaginação.